sexta-feira, 29 de abril de 2011

Iansã no Candomblé

Foi a única mulher de Xangô que o acompanhou na sua fuga para a terra de Tapá, mas se desencorajou em Irã, sua cidade natal, onde “Oyá wole ni ile Ira, Sango wole ni Koso” (Oyá entrou na terra de Irã, Xangô entrou em Koso), ela suicidou-se ao receber a notícia da morte de Xangô. Oyá tornou-se a divindade do Rio Níger. Os tornados e tempestades são as marcas do seu descontentamento.
Qualidades:
Oyà Biniká
Oyà Seno
Oyà Abomi
Oyà Gunán
Oyà Bagán
Oyà Onìrá
Oyà Kodun
Oyà Maganbelle
Oyà Yapopo
Oyà Onisoni
Oyà Bagbure
Oyà Tope
Oyà Filiaba
Oyà Semi
Oyà Sinsirá
Oyà Sire
Oyà Gbale
 
ou Igbale (aquela que retorna a terra)que se subdivide em:

  • Oyà Gbale Funán
  • Oyà Gbale Fure
  • Oyà Gbale Guere
  • Oyà Gbale Toningbe
  • Oyà Gbale Fakarebo
  • Oyà Gbale De
  • Oyà Gbale Min
  • Oyà Gbale Lario
  • Oyà Gbale Adagangbará

Estas Oyàs Gbale ou Igbale estão ligadas ao culto dos mortos, quando dançam parecem expulsar as almas errantes com seus braços. Tem forte fundamento com Omulu, Ogum e Exú.
Oyà Mesan – Um de seus epítetos. Espírito meio animal meio mulher, foi esposa de Oxóssi e Xangô
Oyà Petu – Nesse aspecto ela convive com Xangô. Senhora dos ventos, esposa de Xangô e amante de Ossanha, fundamento com as árvores e suas folhas, guerreira, usa cobre.
Oyà Onira – Rainha da cidade de Irã, guerreira e agressiva, companheira de Oxum, dona das estradas, principalmente as encruzilhadas, tem quizila com Ogum.
Oyà Odo – Simboliza o amor e o sexo, o prazer e tem seu fundamento na água.
Oyà Bagan – Fundamento com Oxóssi.
Oyà Egunita – Fundamento com Ogum Wari e Odé.
Oyà Onisoni – Fundamento com Omulú.
Oyà Tope – Fundamento com Ogum Xoroquê
Oyà Agangbele – Nesse caminho mostra a dificuldade em gerar filhos.
Oyà Lesseyen – Uma das Igbales que mora no próprio Lesseyen.
Oyà Ate Oju – Orixá Igbale num aspecto dificil de Oyá quando caminha com Nanã.
Oyà Ogaraju – uma das mais antigas no Brasil.
Oyà Arira – Uma de suas formas.
Oyà Doluo – Eró Ossain; culto Nagô.
Oyà Kodun – Eró com Oxaguian.
Oyà Bamila – Eró Olufon.
Oyà Kedimolu – Eró Oxumaré = Omulu.

Candomblé: Oxumaré

Oxumaré é o Orixá do arco-íris e da transformação. É o Orixá das adivinhações, grande feiticeiro e curador. Tem dupla representação, ora como arco-íris, ora como homem serpente. Traz nas mãos duas cobras de metal amarelado ou branco, dependendo da qualidade. A sua saudação: A Run Boboi!!!, quer dizer: Vamos cultuar o intermediário que é elástico.
Oxumaré Dan: Corresponde ao nome Jeje de Oxumaré e, no Alakétu, constitui uma qualidade deste último: é a cobra que participou da criação. É uma qualidade benéfica, ligada à chuva, à fertilidade e à abundância; gosta de ovos e de azeite de dendê. Como tipo humano, é generoso e até perdulário.
Dangbé: É um Oxumaré mais velho que seria o pai de Dan; governa os movimentos dos astros. Menos agitado que Dan, possui uma grande intuição e pode ser um adivinho esperto.
Becém: Dono do terreiro de Bogun, veste-se de branco e leva uma espada. Becém é um nobre e generoso guerreiro, um tipo ambicioso, combativo de Oxumaré, menos afetado e menos superficial que Dan. Aido Wedo, também é uma qualidade de Oxumaré conhecida no Bogun.
Azaunodor: É o príncipe de branco que reside no Baobá, relacionado com os antepassados; come frutas e “leva tudo de dois”.
Frekuen: É o lado feminino de Oxumaré, representado pela Serpente mais venenosa. O lado masculino de Oxumaré é geralmente representado pelo Arco-Íris.
O Orixá possui ainda vários outros nomes na África, assim como no Brasil, o que como acontece com todos os outros Orixás, se referem a cidades, lendas ou cultos específicos de uma determinada região, e com isso ganha suas particularidades e costumes; alguns dessas outros nomes são: Akemin, Botibonan, Besserin, Dakemin, Bafun, Makor, Arrolo, Danbale, Foken, Darrame, Araka, Averecy, Akoledura e Bakilá.

O Que Faz Bem e o Que Faz Mal...

Acho a maior graça. Tomate previne isso, cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas não exagere...
Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos.
Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde.
Prazer faz muito bem.
Dormir me deixa 0km.
Ler um bom livro faz-me sentir novo em folha.
Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas depois rejuvenesço uns cinco anos.
Viagens aéreas não me incham as pernas; incham-me o cérebro, volto cheio de ideias.
Brigar me provoca arritmia cardíaca.
Ver pessoas tendo acessos de estupidez me embrulha o estômago.
Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano.
E telejornais... os médicos deveriam proibir - como doem!
Caminhar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo, faz muito bem! Você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.
Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é prejudicial à saúde!
E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda!
Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou mozarela que previna.
Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau!
Cinema é melhor pra saúde do que pipoca!
Conversa é melhor do que piada.
Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que rancor.
Amigos são melhores do que gente influente.
Economia é melhor do que dívida.
Pergunta é melhor do que dúvida.
Sonhar é melhor do que nada!

Martha Medeiros.

Xangô no Candomblé

As suas cores são o vermelho e branco.
A sua saudação é: Kawó kabiyèsílé! – Venham ver o Rei descer sobre a terra!
Alufan: É idêntico a um Airá. Confundido com Oxalufan. Veste branco e suas ferramentas são prateadas.

Alafim: É o dono do palácio real, governante de Oyó. Vem numa parte de Oxalá e caminha com Oxaguian.

Afonjá: É o dono do talismã mágico dado por Oyá a mando de Obatalá; é aquele que fulmina seus inimigos com o raio. Come com Yemanjá, sua mãe. Xangô Afonjá é aquele que está sempre em disputa com Ogum. Um dos mitos que relata tal passagem nos conta que Afonjá e Ogum sempre lutaram entre si, ora disputando o amor da mãe, Yemanjá, ora disputando o amor de suas eternas mulheres, Oyá, Oxum e Obá.

Aganjú: Significa terra firme. Tem perna de pau e é casado com Yemanjá. É o filho mais novo de Oranian. É o mais cruel, é aquele que leva o coração do inimigo na ponta da lança, é o Xangô amaldiçoado que matou e comeu a própria mãe.

Agogo / Agodô / Ogodo: Muito ruim e brutal, inclinado a dar ordens e a ser obedecido, foi ele quem raptou Obá. Come com Yemanjá. Neste caminho; Xangô segura dois Oxés (machados). Sendo o seu èdùn àrà composto de dois gumes e é originário de Tapá. É aquele que lança raios e fogo sobre seu próprio reino e o destrói.

Baru: Veste-se de marrom e branco. Conta o mito que Xangô recebe de Oxalá um cavalo branco como presente. Com o passar do tempo, Oxalá voltou ao reino de Xangô Baru, onde foi aprisionado, passando sete anos num calabouço. Calado no seu sofrimento, Oxalá provocou a infertilidade da terra e das mulheres do reino de Baru. Mas Xangô Baru, com a ajuda dos babalawos, descobriu seu pai Oxalá preso no calabouço de seu palácio. Naquele dia, ele mesmo e seu povo vestiram-se de branco e pediram perdão ao grande Orixá da criação, terminando o ato com muita festa e com o retorno de Oxalá a seu reino. Assim seus descendentes míticos agirão sempre como um jovem desconfiado, ambicioso, elegante, teimoso, hospitaleiro, galante; Xangô surge como um rei humilde e solidário com a causa de seu povo.

Badè: É o mais jovem vodum da família do raio, cujo chefe é Keviosso, corresponde ao Xangô jovem dos nagôs. É o irmão de Loko. Usa roupa azul com faixa atada atrás.

Jakuta: É aquele que atira as pedras, é a encarnação dos raios e trovões. É a própria ira de Olorun, o Deus criador. É o senhor do edun-ará, a pedra de raio. Conta o mito que o reino de Jacutá foi atacado por guerreiros de povos distantes, num dia em que seus súditos descansavam e dançavam ao som dos tambores. Houve muita correria, muita morte, muitos saques. Jacutá escapou para a montanha seguido de seus conselheiros, de onde via o sofrimento de seu povo. Irado, o rei chamou sua mulher Iansã, que chegando com o vento, levou consigo a tempestade e seus raios. Os raios de Iansã caíram como pedras do céu, causando medo aos invasores, que fugiram em debandada. Mais uma vez, Jacutá fora acudido por Iansã, e  sua eterna amante deu-lhe o poder sobre as pedras de raio, o edun-ará. Pessoas de Jacutá tem espírito de um velho pensador, justiceiro, incansável, brutal, colérico, impiedoso, preocupado com a causa dos outros.

Koso ou Obacossô: Em sua passagem pela cidade de Kossô, Xangô recebe o nome de Obacossô, ou seja, o rei de Kossô. Conta o mito que, depois de passar pela terra dos tapás, Xangô refugiou-se na cidade de Kossô, mas a dor de haver destruído seu povo, levou o rei a suicidar-se. No momento da morte de Xangô, Iansã chegou ao Orum e, antes que Xangô se tornasse um Egun, pediu a Olodumare que o transformasse num orixá. Assim Xangô foi feito Orixá pelo pedido de sua mulher Oyá. Os filhos de Obacossô são serenos, tiranos, cruéis, agressivos, severos, amorosos, moralistas.

Oranifé: É o justiceiro, reto e impiedoso, que mora na cidade de Ifé.

Tapá: É muito conhecido pelo seu temperamento imperioso e viril. Não perdoa os erros de seus filhos.

Airá Intile: É o filho rebelde de Obatalá. Airá Intilé foi um filho muito difícil, causando dissabores a Obatalá. É dele o mito que conta a primeira vez que Airá Intilé se submeteu a alguém. Airá tinha sempre junto ao pescoço colares de contas vermelhas que Obatalá desfez e alternou as contas encarnadas com as contas brancas dos seus próprios colares. Obatalá entregou a Intilé o seu novo colar, vermelho e branco. Daquele dia em diante, toda terra saberia que ele era seu filho. E para terminar o mito, Obatalá fez com que Airá Intilé o levasse de volta ao seu palácio pelo rio, carregando-o em suas costas. Neste caminho, Airá Intilé dá aos seus filhos um ar altivo e de sabedoria, prepotente, equilibrado, intelectual, severo, moralista e decidido.

Airá Igbonam (Agoynham) ou Ibonã: É considerado o pai do fogo, tanto que na maioria dos terreiros, no mês de junho de cada ano, acontece a fogueira de Airá, rito em que Ibonã dança sempre acompanhado de Iansã, dançando e cantando sobre as brasas escaldantes das fogueiras.

Airá Mofe, Osi ou Adjaos: É o eterno companheiro de Oxaguiã.

Existe também opinião formada por muitos, baseada na mitologia e nas diversas fontes sobre as origens de Xangô, que Oranian seria seu pai; Dadá seu irmão, Aganjú um dos seus sucessores, e Ogodô o que segura dois oxés, sendo o seu èdùn àrà composto de dois gumes e é originário de tapá.

Os Airá são as qualidades de Xangô muito velhos, sempre vestidos de branco e usando segi (contas azuis) em lugar dos corais vermelhos, e são originários da região de Savê. Há no entanto atualmente quem considere que Airá seria um Orixá diferente e não uma qualidade de Xangô.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Xapanã no Candomblé

Omulu (Obaluaiyé) é o rei da terra. A sua vestimenta é feita de ìko; uma fibra de ráfia extraída do Igí-Ògòrò, a “palha da costa”, elemento de grande significado ritualístico, principalmente em ritos ligados à morte e ao sobrenatural, sua presença indica que algo deve ficar oculto. Compostos de duas partes o “Filá” e o “Azé”, a primeira parte, a de cima, que cobre a cabeça é uma espécie de capuz trançado de palha da costa, acrescido de palhas em toda sua volta, que passam da cintura, o Azé, seu asó-ìko (roupa de palha) é uma saia de palha da costa que vai até os pés em alguns casos, em outros, acima dos joelhos, por baixo desta saia vai um Xokotô, espécie de calça, também chamado “cauçulú”, em que oculta o mistério da morte e do renascimento. Nesta vestimenta acompanha algumas cabaças penduradas, onde supostamente carrega seus remédios. Ao vestir-se com ìko e cauris, revela sua importância e ligação com a morte.
Sua festa anual é o Olubajé. Tido como filho de Nanã no Brasil, a sua origem, forma, nome e culto na África é bastante variado, de acordo com a região, essa variação de nomes é em conformidade com a região, Obaluaiyé ou Xapanã em Tapá (Nupê) chegando ao território Mahi ao norte do Daomé; Sapatá é a sua versão Fon, trazida pelos Nagôs.
Em alguns lugares se misturam, em outros são deuses distintos, confundidos até com Nanã Buruku; Omulu em keto e Abeokutá. O seu parentesco com Oxumaré e Iroko é observado em Keto (vindo de Aisê segundo uns e Adja Popo segundo outros), onde se pode ver uma lança (oko Omolu) cravada na terra, esculpida em madeira onde figuram esses três personagens mencionados, também em Fita próximo de Pahougnan, território Mahi, onde o rei Oba Sereju, recebera o fetiche Moru, três fetiches ao mesmo tempo Moru (Omolu), Dan (Oxumaré) e Loko (Iroko).
Afoman /Akavan: Tem ligação com Exú. Afomo significa contagioso, infeccioso
Arinwarun (ou Wariwaru): É um título de Xapanã.
Azonsu / Ajansu / Ajunsu: Tem fundamentos com Oxalá, Oxumaré e Ogum. É extrovertido. É ligado ao tempo, às estações do ano e ao culto da terra. É o verdadeiro dono do cuscuzeiro. Veste vermelho, preto e branco, na perna esquerda leva uma pulseira de aço.
Azoani: É jovem, veste preto e branco. Tem caminhos com Iroko, Oxumaré, Iemanjá e Oyá.
Arawe / Arapaná: Tem fundamento com Oyá.
Ajoji / Ajagun: Tem fundamentos com Ogum e Oxaguian.
Avimaje / Ajiuziun: Tem fundamento com Nanã e Ossanha.
Ahosuji / Segí: Tem ligação com Yemanjá e Oxumaré / Besén.
Afenan: É velho, dança curvado, veste a estopa e carrega duas bolsas de onde tira as doenças. Veste  amarelo e preto. Todas as plantas trepadeiras pertencem-lhe. Tem caminhos com Oxumaré e Oyá, de quem é companheiro, dança cavando a terra com Intoto para depositar os corpos que lhe pertencem.
Intoto: Suas contas são vermelhas e pretas. É um orixá cultuado em seu assentamento e não vira na cabeça de ninguém. O Iyàwó é feito de Oxum ou Azoani. Dá-se comida à terra. Este orixá é Abìkú, portanto não se raspa, pois representa o fundo da terra. Come com Ewá, Oyá e Ikú. Seus assentos são cultuados ao lado de Nanã e Yemanjá.
Jagun Agbagba: tem fundamento com Oyá.
Jagu Jagun ou Ajagun: É jovem e guerreiro; leva na mão uma lança chamada okó; Tem caminhos com Ogunjá, Oxaguian, Ayrá, Exu e Oxalufan. Não come feijão preto e é o único que come Igbin (Caracol).
Posun/Posuru: É o mesmo Azunsun do Jeje, louvado como Possun no ketu e na Angola, tanto é Iroko como Tempo. Come diretamente da terra. Sua dança mostra claramente sua ligação discreta com Exu e com a terra, dança com garras nas mãos. Tem caminhos com Intoto, Iroko e Oyá.
Savalu / Sapekó: Tem forte fundamento com Nanã.
Soponna / Sapata / Sakpatá: É o mais antigo; é proibido falar o seu nome. Na África quando fala-se o seu nome, coloca-se mel na boca. Come com Exu e tem fundamento nas encruzilhadas. Tem caminhos com Oxóssi e é o deus da varíola e das doenças de pele. Usa contas brancas e pretas.
Tetu / Etetu: É jovem e guerreiro. Come com Ogum e Oyá. Veste de branco, preto e vermelho.

Candomblé: Logun Edé

Logun Edé Loko: Tem fundamentos com Exu.
Logun Edé Ybain: É um recém nascido Apanan. Todos comem com Exu e Oxóssi. Seus fundamentos estão em sua mãe de criação, Oxum Onira, sem ela Logun não caminha. Toda pessoa de Logun tem que assentar Oxum Onira e de Oxum Onira tem que assentar Logun. Assenta-se também Ybualamo, Yponda e Opará.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Candomblé: Ewá

Ewá Gebeuyin: A primeira a surgir no mundo. Faz os banhos de ervas darem positivamente e traz a abundância de alimentos. Veste vermelho maravilha e amarelo claro. Come com Omulu, Oyá e Oxum. Nas tempestades ela pode se transformar numa serpente azulada.
Ewá Gyran: É a deusa dos raios do sol. Controla os raios solares para que eles não destruam a terra. É a formação do arco-íris duplo que aparece em torno do sol. Metade é Ewá e a outra é Bessem. Platina, rubi, ouro e bronze vão em seu assentamento. Come com Omulu, Oxum e Oxóssi.

Oxalá no Candomblé

Oxalá Ajagemo: Para o qual durante a sua festa anual em Edé, dança-se e representa-se com expressões corporais, um combate entre ele e Oluniwi, no qual este último sai vencedor.
Oxalá Akire ou Ikire: É um valente guerreiro muito rico que transforma em surdo e mudo a quem o negligencia.
Oxalá Alase ou Olúorogbo: Salvou o mundo fazendo chover num período de seca.
Oxalá Etéko: Caminha com Oxaguiã, é inquieto. Vive nas matas e come todo o tipo de carne branca.
Oxalá Eteto Obá Dugbe: Outro guerreiro, ligado a Orixalá.
Oxalá Lejugbe: é muito confundido com Oxalufan por ser vagaroso e indeciso. Muito chegado a Ayrá. Come com Yemanjá e Oxalufan. Come também todo tipo de carne branca.
Oxalá Obatalá: É o mais velho dos Orixás. O grande rei branco; raiz de todos os outros Oxalás. Ele não é feito, faz-se Ayrá ou Oxum Opará. É o pai de Oxalufan que por sua vez é o pai de Oxaguiã. Por ser muito grande e poderoso, Obatalá não se manifesta, sua palavra transforma-se imediatamente em realidade. Representa a massa, o ar, as águas frias e imóveis do começo do mundo, controla a formação dos novos seres, é o senhor dos vivos e dos mortos.
Oxalá Okó: Divindade da agricultura e colheita dos inhames novos e a fertilidade da terra. Orixá Nagô, pouco conhecido no Brasil. Na época da chegada dos escravos, não deram muita importância a este Orixá, considerando o Orixá da agricultura, em seu lugar Ogum e dos grãos Obaluaê. Quando se manifesta leva um cajado de madeira que revela sua relação com as árvores, traz uma flauta de osso que lembra sua relação com a sexualidade e a fertilidade. É confundido com Oxalá, pois veste-se de branco. Seu Opaxoró, no Brasil, é confeccionado em madeira. Sendo um Orixá raro, tem poucas qualidades conhecidas. É um Orixá rico.
Oxalá Olofon Ajigúna Koari: Aquele que grita quando acorda (conhecido pelo nome de Oxalufan).
Oxalá Orinxalá, Orixalá ou Obatalá: É casado com Yemanjá, suas imagens são colocadas lado a lado e cobertas com traços e pontos desenhados com efum, no Ilésin, local de adoração, dizem que Yemanjá foi a única mulher de Orixalá um caso excepcional de monogamia entre orixás e eborás.
Oxalá Oxalufã (Orixá Olú Fon): Orixá velho e sábio, cujo templo é Ifón pouco distante de Oxogbô, a cerimônia de saudações é de dezesseis em dezesseis dias. Orixá muito velho, de idade avançada, aleijado, lento, movendo-se com muita dificuldade. Dança apoiado no opaxoró. Treme de frio e velhice. Detesta a violência, disputas e brigas. Não come sal nem dendê; odeia cores fortes, principalmente o vermelho. A ele pertencem os metais e substâncias brancas; não suporta cavalos.
Oxalá Osoguiã ou Oxaguian (Orixá Ogiyan): Orixá jovem e guerreiro, cujo templo principal se encontra em Ejigbô. Tomou o título de Eleejigbô Rei de Ejigbô uma de suas características e o gosto pelo inhame pilado chamado lyán, que lhe valeu o apelido de Orisa-Je-Iyán ou Orisájiyan. A tradição exige que os habitantes de dois bairros Xolô e Oké Mapô lutem uns contra os outros a golpes de varas. É o único que tem autorização de enfeitar seus colares brancos com pedras azuis, chamadas Seguy. Está ligado ao culto de Iroko e dos espíritos, assim como a fertilidade e o culto ao inhame. É o pai de Oxossi Inlé, come com Ogunjá, Oxossi Inlé, Airá, Exu, Oyá e Onira. Tem muito fundamento com Oyá pois, é o dono do Atori, fundamento que lhe foi dado por ela, motivo pelo qual as pessoas de Guian devem agradar muito a Oyá. Vem pelos caminhos de Onira; tem ligação forte com Exú. Seus filhos devem evitar brigas e mentiras e principalmente, não devem enganar a Ogum.
Oxalá Ogiyan Ewúlee Jiigbo: Senhor de Ejigbô (conhecido pelo nome de Oxanguiã).

Candomblé: Nanã

Em sua passagem pela Terra, foi a primeira Iyabá e foi muito vaidosa, razão pela qual segundo a lenda, desprezou o seu filho primogênito com Oxalá, Omolú, por ter nascido com várias doenças de pele. Não admitindo cuidar de uma criança assim, acabou por abandoná-lo no pântano. Sabendo disso, Oxalá condenou-a a ter mais filhos, os quais nasceriam todos com alguma deformação física (Oxumaré, Ewá e Ossaim), e baniu-a do reino, ordenando-lhe que fosse viver no mesmo lugar onde abandonou o seu filho, no pântano.
Nanã tornou-se uma das Iyabás mais temidas, tanto que em algumas tribos, quando o seu nome era pronunciado, todos jogavam-se ao chão. Senhora das doenças cancerígenas, está sempre ao lado do seu filho Omolú. É protetora dos idosos, desabrigados, doentes e deficientes visuais. Sua saudação é Saluba Nanã.

Qualidades de Nanã

Nanã Abenegi: Dessa Nanã nasceu o Ibá Odu, que é a cabaça que traz Oxumarê, Oxossi Olodé, Oyá e Yemanjá.

Nanã Adjaoci ou Ajàosi: É a guerreira e agressiva que veio de Ifé, as vezes confundida com Obá. Mora nas águas doces e veste-se de azul.

Nanã Ajapá: É a guardiã que mata, vive no fundo dos pântanos, é um Orixá bastante temido, ligado à lama, à morte e à terra. Veio de Ajapá. Está ligada aos mistérios da morte e do renascimento. Destaca-se como enfermeira; cuida dos velhos e dos doentes, toma conta dos moribundos. Nela predomina a razão.

Nanã Asainan: Provisoriamente sem dados inerentes a este caminho do Orixá Nanã.

Nanã Buruku: Também é chamada Olú Waiye (senhora da terra), ou Oló Wo (senhora do dinheiro) ou ainda Olusegbe. Este Orixá veio de Abomey; ligado à água doce dos pântanos, usa um ibirí azul.

Nanã Iyabahin: Provisoriamente sem dados inerentes a este caminho do Orixá Nanã.

Nanã Obaia ou Obáíyá: É ligada à água e à lama. Mora nos pântanos; usa contas cristal vestes lilás e veio do país Baribae.

Nanã Omilaré: É a mais velha, acredita-se ser a verdadeira esposa de Oxalá. Associada aos pântanos profundos e ao fogo. É a dona do universo, a verdadeira mãe de Omolu Intoto. Veste musgo e cristal.

Nanã Savè: Veste-se de azul e branco, e usa uma coroa de búzios.

Nanã Ybain: É a mais temida. Orixá da varíola. Usa cor vermelha, é a principal, come direto na lagoa, dando origem a outros caminhos. Para chamá-la, a ekeji tem que ir batendo com seus otás para fazê-la pegar suas filhas.

Nanã Oporá: Veio de Ketu, coberta de Oxum vermelho. É a mãe de Obaluaê, ligada à terra, temida, agressiva e irascível.

Obá no Candomblé

Obá é uma grande guerreira, e foi uma das três esposas de Xangô. Conta a sua lenda que foi no seguimento de uma querela com Oxum, e com o intuito de obter a preferência de Xangô que ela cortou a orelha esquerda e, com ela, temperou um amalá para o seu esposo, pois Oxum a havia convencido de que fazendo isso, certamente ela iria conseguir o seu objetivo. O resultado foi contrário, pois Xangô detestou encontrar a orelha da esposa na sua comida e também a sua mutilação. Obá passou então a esconder a mutilação com a mão esquerda, com o seu escudo, ou também com um turbante.
QUALIDADES
1) Obá Gideo
2) Obá Rewá
Em qualquer das suas qualidades é uma guerreira destemida, mas ressentida. Veste-se de vermelho, branco e dourado. Carrega espada e escudo. Gosta de acarajé, aberém, feijão fradinho, cabras, galinhas e coquéns. Recebe culto às quartas-feiras e os seus filhos são em pequeno número.

Rivalidade entre Oxum e Obá


Obá tornou-se a terceira mulher de Xangô, pois ela era forte e corajosa. A primeira mulher de Xangô foi Iansã, que era bela e fascinante. A segunda foi Oxum, que era coquete e vaidosa.

Uma rivalidade logo se estabeleceu entre Obá e Oxum. Ambas disputavam a preferência do amor de Xangô. Obá sempre procurava aprender o segredo das receitas utilizadas por Oxum quando esta preparava as refeições de Xangô.
Oxum irritada, decidiu preparar-lhe uma armadilha. Convidou Obá a vir, um dia de manhã, assistir à preparação de um prato que, segundo ela, agradava infinitamente a Xangô.
Obá chegou na hora combinada e encontrou Oxum com um lenço amarrado à cabeça, escondendo as orelhas. Ela preparava uma sopa para Xangô onde dois cogumelos flutuavam na superfície do caldo. Oxum convenceu Obá que se tratava de suas orelhas, que ela cozinhava, desta forma, para preparar o prato favorito de Xangô.
Xangô logo chegou, vaidoso e altivo. Engoliu, ruidosamente e com deleite, a sopa de cogumelos elegante, mas apressado, retirou-se com Oxum para o quarto.
Na semana seguinte, foi a vez de Obá cuidar de Xangô. Ela decidiu pôr em prática a receita maravilhosa. Como prova de amor, cortou uma de suas orelhas e preparou a sopa para seu marido. Porém, Xangô não sentiu nenhum prazer ao ver que Obá se mutilara. Ele achou repugnante o prato que ela preparara.
Neste momento, Oxum chegou e retirou o lenço, mostrando à sua rival que suas orelhas não haviam sido cortadas, nem comidas.
Furiosa, Obá precipitou-se sobre Oxum com impetuosidade.Uma verdadeira luta se seguiu. Enraivecido, Xangô trovejou sua fúria. Oxum e Obá, apavoradas, fugiram e transformaram-se em rios.
Até hoje, as águas destes rios são tumultuadas e agitadas no lugar de sua confluência, em lembrança da briga que opôs Oxum e Obá pelo amor de Xangô.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Oxum no Candomblé

Divindade calma veste-se sempre com cores claras, de preferência amarelas que é a sua cor consagrada; porém, dependendo da qualidade, Oxum guerreira pode vestir-se na cor rosa, Oxum velha de branco e azul claro; Oxum Ijimu, por exemplo, usa uma saia azul claro, òja e adé cor de rosa. Oxum leva na mão direita seu leque ritual, o abebé de latão ou qualquer outro metal dourado, com uma sereia, um peixe ou até mesmo uma pequena pomba no centro.
Qualidades de Oxum no Candomblé:
- OXUM ABALU (AGBA ILU): é a mais velha de todas, e chefe das mulheres. Maternal, avó amorosa é uma mulher que tem numerosos filhos e netos. Mas é bastante severa e autoritária. Usa azul claro. E abèbé
- OXUM IJIMU (ou AJÍMU, ou JIMU): é outro tipo de Oxum velha. É a mãe de todas as Oxuns. Veste-se de azul claro ou cor de rosa. Leva abebé e seus colares são feitos de contas de cristal amarelo escuro. Representa um tipo semelhante à Abalu, mas talvez mais meiga.
IYA OMI: é a Oxum saudada no xirê, também idosa. É aquela que faz as perguntas a Exú no jogo divinatório de Ifá.
- OXUM ABOTO ou OXOGBO: é muito jovem e vaidosa, que usa colares de contas de louça amarelo claro. Feminina e coquete, ajuda as mulheres a terem filhos.
- OXUM APARÁ: É a Oxum mais jovem, e um tipo guerreiro que acompanha Ogum (ou Xangô) vivendo com ele pelas estradas; dança com ele quando se manifestam, juntos numa festa; leva uma espada na mão e pode vestir-se de cor de rosa.
- OXUM AJAGURA: outra guerreira que leva espada, jovem, casada com Aganjú, rival de Iansã. Representa um tipo semelhante à Apará; Apará parece, porém mais agressiva, e Ajugura mais orgulhosa.
- YEYE PETU:  é guerreira.
YEYE OKE: é, provavelmente, a mesma que Yeye Loke, é muito guerreira.
- YEYE ONIRA: é guerreira.
- YEYE OLOKO: vive nas florestas.
- YEYE MERIN ou IBERIN: é feminina e coquete.
YEYE PONDÁ (ou OXUM YPONDÁ): é também uma guerreira, casada com Oxóssi Iboalama, mãe de Logun Edé. Yeye Pondá é a verdadeira Oxum Ijexá que veio de Ijexá ou de Ipondá. Vive na mata com o marido, leva uma espada e veste-se de amarelo ouro. É desconfiada, astuta, observadora e intuitiva.
YEYE ODO: é a Oxum das fontes e dos perdões; talvez seja a mesma que Íyá Mi Odo ou Iya Nodo (um tipo de Yemanjá).
YEYE OGA: é uma Oxum velha e rabugenta.
YEYE KARÉ: é um tipo de Oxum mais velha, autoritária, guerreira e agressiva.
- OXUM Ê WUJ Í: é uma Oxum maternal e generosa, saudada no pàdé.
- YEYE AYÁLÁ ou IYANLÁ: é a avó que foi mulher de Ogum.

Yemanjá no Candomblé

São 16 as qualidades, e por possuírem características tão próprias, há quem chegue a considerar que se trata de Orixás individuais (independentes) das outras qualidades. 
Yemanjá Asdgba ou Soba: É a mais velha, manca de uma perna devido a uma luta com Exú, rabugenta e feiticeira, fala de costas, gosta de fiar seu cristal. Comanda as caçadas mais profundas do oceano, tem afinidade com Nanã. Veste branco.
Yemanjá Akurá: Vive nas espumas do mar, aparece vestida com lodo do mar e coberta de algas marinhas. Muito rica e pouco vaidosa. Adora carneiro. Come com Nanã.
Yemanjá Ataramaba: Nessa forma ela está no colo de seu pai Olokun.
Yemanjá Ataramogba ou Iyáku: Vive na espuma da ressaca da maré.
Yemanjá Ayio: Muito velha. Veste sete anáguas para se proteger. Vive no mar e descansa nas lagoas. Come com Oxum e Nanã.
Yemanjá Iya Masemale ou Iamasse: É a mãe de Xangô e quem cuidou de Oxumarê. Esposa de Oranian e muito festejada durante as festas consagradas a seu filho Xangô. As suas contas são branco leitosas, rajadas de vermelho e azul.
Yemanjá Iyemoyo, Awoyó; Yemuo; Yá Ori ou Iemowo: É uma das mais velha, possui ligação com Oxalá, o seu fundamento está no ori, representa a vida, pode curar doenças da cabeça. Veste branco e cristal.
Yemanjá Konla: O seu mito conta que ela afoga os pescadores.
Yemanjá Maleleo ou Maiyelewo: Esta Yemanjá vive no meio do oceano no lugar onde se encontram as sete correntes oceânicas.
Yemanjá Odo: Tem aproximação com Oxum, e vive na água doce sendo muito feminina e vaidosa.
Yemanjá Ogunté: Considerada a nova guerreira, dona da espada, esposa de Ogum ferreiro (Alagbedé) e mãe de Ogum Akorô e Oxóssi. O seu nome significa aquela que contém Ogum. Vive perto das praias, no encontro das águas com as pedras. Traz na cintura um facão e todas as ferramentas de Ogum. Veste branco, azul marinho, cristal, ou verde e branco.
Yemanjá Olossá ou Bosá: Come com Oxum e Nanã. Veste verde-clara e suas contas são branco cristal. É a Yemanjá mais velha da terra de Egbado.
Yemanjá Oyo: Benéfica, muito feminina, saudada na cerimónia do Padê, veste de branco, rosa e azul claro.
Yemanjá Saba: Fiadeira de algodão, foi esposa de Orunmilá.
Yemanjá Sessu, Sesu, Yasessu ou Susure: Ligada à gestação. Voluntariosa e respeitável, mensageira de Olokun, o deus do mar. Vive nas águas sujas do mar e é muito esquecida e lenta. Come com Obaluaiyê e Ogum. Além do próprio assentamento, tem que se assentar Oxum e Obaluaiyê. Veste branco, verde água e suas contas branco cristal.
Yemanjá Yinaé ou Malelé: Aquela que os filhos sempre serão peixes. Também conhecida como Marabô, mora nas águas mais profundas. É a sereia, ligada à reprodução dos peixes; vem sempre a beira do mar apanhar as suas oferendas; está ligada a Oxalá e Exú.