quarta-feira, 4 de maio de 2011

Como Iansã Tornou-se a Senhora dos Cemitérios

Olófin reinava em Ifé e tinha uma filha chamada Oyá, que era desejada por Ikú, a Morte. Ìkú era muito feio e estava sempre disposto a fazer o mal às pessoas. Seu costume preferido era levar qualquer pessoa para o cemitério, de onde ela nunca regressava. Certo dia ele foi até o palácio de Olófin e revelou seu desejo de casar-se com Oyá. Olófin ficou surpreso com o pedido e lhe fez uma proposta: “Está bem, você poderá casar-se com Oyá, desde que se comprometa a trazer-me cem cabeças de gado”. Esta foi a maneira de livrar-se de Ikú, pois sabia que ele não poderia cumprir o pedido em razão de estar sempre sem dinheiro e nada ter na vida.

Ikú, muito esperto, percebeu que Olófin, não queria lhe entregar Oyá e, então, pensou em uma contraproposta: “Para que queres cem cabeças de gado se posso fazer-lhe uma oferta melhor? Posso lhe trazer um homem que vale mais do que todas as rezes juntas e que irá trabalhar para você o resto da vida”. Olófin lhe perguntou: “E quem é essa pessoa?” Ao que ele respondeu: “É Àwòrò, o conhecedor de todos os poderes do bem e do mal, os que curam e os que matam”.

Olófin aceitou a proposta de Ikú, porque sabia que Àwòrò era muito religioso e cumpridor de seus deveres, fazendo tudo o que os Orixás mandavam. Era homem de poucos amigos, entre eles o Ogã, e o Agbó, o carneiro. Não bebia e nem jogava, e o mais importante, não tinha nenhuma relação com Ikú. Olófin não se preocupou, pois sabia que Ikú não teria como obrigar Àwòrò contra a sua vontade.

Ikú saiu de lá, planejando como iria cumprir com o prometido, quando no caminho avistou Àgbò, o carneiro, vindo em sua direção. Aproveitou a oportunidade, contou-lhe a conversa que havia tido com Olófin e lhe fez uma promessa: “Se me ajudares, eu te asseguro que nunca te levarei para o cemitério, ou seja, nunca morrerás”. Àgbò, apesar de amigo de Àwòrò, aceitou a proposta de Ikú, mas disse que precisaria da ajuda de Ogã, a quem deveria fazer-lhe a mesma promessa. Procuraram por Ogã e ele também se comprometeu a ajudá-lo. Eles iriam levar Àwòrò ao cemitério naquela mesma noite.

Porém Oyá descobriu o plano de Ikú e o acordo entre ele e Olófin, resolveu então ir até a casa de Oromilaia, para uma consulta. E ele lhe disse: “Ikú poderá até conseguir o que deseja, mas a traição dos amigos porá tudo a perder. Você, porém, poderá salvá-lo se for ao cemitério e enfrentar Ikú.” Oyá temia Ikú e, mais ainda, o cemitério, mas decidiu não dizer nada.

Naquele momento, Àwòrò estava em seu trabalho religioso, realizando suas orações, quando foi orientado a não abrir a porta a ninguém depois de deitar. Por isso, ao chegar em casa fechou as portas mais cedo do que o de costume, certificando-se que elas estivessem bem trancadas. Não levou muito tempo, quando ouviu baterem à porta. Recostou-se na cama perguntando-se quem poderia ser. Ogã identificou-se, dizendo que trazia para ele doce de coco, pois sabia que era seu favorito. Mesmo assim Àwòrò disse que não abriria a porta, pois já estava deitado. Ogã voltou para Àgbò, perguntando o que fazer. O carneiro então pegou o doce de coco, e chegando até a porta, disse: “Àwòrò, somos seus melhores amigos. Se você não pode sair, abra um pouco a porta para que possamos lhe entregar o doce de que tanto gostas”. Àwòrò sentiu um desejo muito forte, e falou consigo mesmo: “O que poderia acontecer se eu abrisse só um pouquinho a porta?” Desceu e foi abrir, quando o agarraram e se dirigiram ao cemitério.

Era uma noite bem escura, e todos estavam com medo de entrar, mas não havia outro jeito. Não tinham avançado muito, quando diante deles apresentou Ikú em sua verdadeira forma: todos os ossos à mostra. Era pura caveira. Ao ver o susto nos olhos dos dois, Ikú os acalmou e eles se recompuseram.
Contam que Àwòrò estava ali, mas que no momento de ser entregue, quem surgiu entre os dois foi Oyá, em meio a ruídos de raios, coriscos e ventanias. Os três saíram correndo apavorados. Oyá então libertou Àwòrò e disse-lhe: “O doce de coco quase lhe custa a cabeça”.
 
Àgbò, ao sair correndo, passou pelo palácio de Olófin feito um bólido. Olófin ao vê-lo passar, suspeitou que algo de anormal estava acontecendo. Chamou seus guardas e pediu que trouxessem Àgbò. Exigiu que o carneiro lhe contasse o que havia acontecido. Quando Àgbò acabou de contar, Olófin mandou buscar Ikú, Àwòrò, Ogã e Oyá. Ao tê-los todos à sua frente, falou-lhes: “Ikú, com a sua maneira habitual de conseguir as coisas, o que de outra forma teria sido impossível, eu te condeno a que, de hoje em diante, não tenha amigos, nem bens, nem casa, nem nada. Que nunca sejas bem-vindo em nenhum lugar. Que vagues por todas as partes, por toda a eternidade em sua forma verdadeira”.

Olófin continuou seu julgamento: “Àgbò, tu traíste o teu melhor amigo por querer a vida eterna; irás morrer quantas vezes um Orixá necessitar de ti. Quanto a Ogã, tu és culpado do mesmo delito; portanto serás condenado a que não descanses nunca e terás que estar à frente em todos os trabalhos que surgirem e sempre que for solicitada a tua presença. A ti, Àwòrò, eu não direi nada, pois o susto que passou por não obedeceres ao que os Orixás te determinaram já é o suficiente”.

E, por último, Olófin se dirigiu a Oyá: “Tu salvastes a vida de Àwòrò e demonstrastes a falsidade de dois amigos, mas sobretudo perdestes o medo de Ikú. De hoje em diante serás a dona do cemitério e de tudo o que estiver dentro dele. Ikú, que quis fazer-te mulher dele, de agora em diante será teu escravo e trabalhará para ti eternamente”. Dizendo isso, retirou-se satisfeito, certo de ter feito justiça.

Ewá Salva Oromilaia da Morte

Oromilaia era um babalaô que estava com um grande problema. Estava fugindo de Ikú (a morte), que queria pegá-lo de todo jeito. Ele saiu de casa a procura de um esconderijo. Correu pelos campos e Ikú sempre o perseguia obstinado. Correndo e correndo, Oromilaia chegou ao rio. Viu uma linda mulher lavando roupa. Era Ewá junto à margem. ”Por que corres assim, senhor? De quem tentas escapar?” Oromilaia só disse: ”hã, hã”. "Foges da morte?" Adivinhou ela. ”Sim”, respondeu ele.
Ewá então o acalmou. Ela o ajudaria. Escondeu Oromilaia sob a tábua de lavar roupa, que na verdade era um tabuleiro de Ifá (jogo de búzios), com fundo virado para cima. E continuou lavando e cantando alegremente. Então chegou Ikú, esbaforido. Feio, nojento, moscas envolvendo-lhe o corpo, sangue gotejando pela pele, um odor de matéria putrefata empesteando o ar. A morte cumprimentou Ewá e perguntou por Oromilaia. Ewá disse que ele atravessara o rio e que àquela hora devia estar muito, muito longe, muito além de outros quarenta rios.
Ewá tirou Oromilaia de sob a tábua e o levou para casa são e salvo. Preparou um cozido de preás e gafanhotos servido com inhames bem pilados. À noite ele dormiu com Ewá e ela engravidou. Ewá ficou feliz pela sua gravidez e fez muitas oferendas a Ifá. Ela era solteira e Oromilaia pediu-a em casamento. Foi uma grande festa e todos cantavam e dançavam. Todos estavam felizes. Ewá cantava: ”Oromilaia me deu um filho”. Oromilaia cantava: ”Ewá livrou-me da morte”. Todos cantavam: ”Ewá livra de Ikú”.

Pretos Velhos

Durante o período da escravidão milhares de crianças, mulheres e homens foram comprados em mercados de escravos africanos e trazidos para o Brasil. Aqui trabalharam duramente construindo a nova nação. Sofreram todo tipo de maus tratos e humilhações quando ensaiavam qualquer forma de revolta contra a condição escrava, ou porque seus donos consideravam natural tratá-los assim. E, apesar de tudo, ainda tiveram forças para reconstruir sua cultura e sua religião na nova terra contra toda a oposição que encontraram. O tempo passou, a escravidão terminou e, pouco a pouco, as religiões de origem africana puderam crescer.

No início do século XX, nasceu a Umbanda e, nela, os espíritos dos antigos escravos começaram a se mostrar em toda a sua realidade de almas bem-aventuradas, espíritos cheios de luz. Temperando sua grande sabedoria com imensa bondade de seu coração os chamados Pretos Velhos e Pretas Velhas se aproximaram de nós, seus fiéis, para, através de seus conselhos, resolver as nossas dúvidas, iluminar os nossos caminhos e curar os nossos males.

Os Pretos Velhos moram no reino de Aruanda, do outro lado do oceano, para onde retornaram em espírito, e toda a sua ancestralidade familiar. Quando escutam os cânticos nos terreiros, vêm de lá visitar seus “netos” que vivem no lado de cá. Estes espíritos de luz (eguns), ao se manifestarem entre nós, nos dão uma grande lição: o valor do indivíduo deve ser apreciado por seus atos, e não por sua aparência. Assim é que esses grandes guias não são reis e nem mestres, mas pais, tios, tias, vovôs e vovós.

Os Pretos Velhos se vestem com simplicidade, usam branco e preto; relembram seus tempos antigos no gosto pelo cachimbo, bom café sem açúcar, o fumo mascado. Um rosário e uma bengala costumam ser seus acessórios preferidos. Como fazem parte das Almas bem aventuradas, sua saudação é: Adorei as Almas!

O dia 13 de maio é consagrado aos Pretos-Velhos, costuma-se fazer festas ou homenagens a eles neste dia ou próximo a ele, data da assinatura da lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil.

A linha dos Pretos Velhos também é chamada Linha das Almas, Iorimá ou linha Africana. Seu chefe supremo é São Cipriano. É constituída de grande grau de desenvolvimento, conhecedores de todos os segredos da magia, e que empregam seu saber na prática da caridade. São conselheiros, protetores e curadores. A linha é dividida em sete Legiões:


  • Legião do povo d'Angola, chefiada por pai José.
  • Legião do povo de Bengala, chefiada por pai Benguela.
  • Legião do povo da Costa, chefiada por Pai Cambinda.
  • Legião do povo do Congo, chefiada por Rei do Congo.
  • Legião do povo de Guiné, chefiada por Zum Guiné.
  • Legião do povo de Luanda, chefiada por pai Francisco.
  • Legião do povo de Moçambique, chefiada por pai Jerônimo.

É muito comum as pessoas adeptas às religiões afro ou simpatizantes à ela procurar pelos Pretos afim de um passe, uma benzedura, curas, pedidos ou até mesmo conselhos destes velhos sábios.

terça-feira, 3 de maio de 2011

O Crescimento do Bambu

Certo dia decidi dar-me por vencido, renunciei ao meu trabalho, às minhas relações, e à minha fé. Resolvi desistir até da minha vida. Dirigi-me ao bosque para ter uma última conversa com Deus. "Deus," eu disse, "poderias dar-me uma boa razão para eu não entregar os pontos?"
Sua resposta me surpreendeu:
"Olha em redor. Estás vendo a samambaia e o bambu?"
"Sim, estou vendo", respondi.
"Pois bem. Quando eu semeei as samambaias e o bambu, cuidei deles muito bem. Não lhes deixei faltar luz e água. A samambaia cresceu rapidamente, seu verde brilhante cobria o solo. Porém, da semente do bambu nada saía. Apesar disso, eu não desisti do bambu. No segundo ano, a samambaia cresceu ainda mais brilhante e viçosa. E, novamente, da semente do bambu, nada apareceu. Mas, eu não desisti do bambu. No terceiro ano, no quarto, a mesma coisa... Mas, eu não desisti. Mas... no quinto ano, um pequeno broto saiu da terra. Aparentemente, em comparação com a samambaia, era muito pequeno, até insignificante. Seis meses depois, o bambu cresceu mais de 50 metros de altura. Ele ficara cinco anos afundando raízes. Aquelas raízes o tornaram forte e lhe deram o necessário para sobreviver. A nenhuma de minhas criaturas eu faria um desafio que elas não pudessem superar".
E olhando bem no meu íntimo, disse:
"Sabes que durante todo esse tempo em que vens lutando, na verdade estavas criando raízes? Eu jamais desistiria do bambu. Nunca desistiria de ti. Não te compares com outros. O bambu foi criado com uma finalidade diferente da samambaia, mas ambos eram necessários para fazer do bosque um lugar bonito".
"Teu tempo vai chegar", disse-me Deus. "Crescerás muito!"
"Quanto tenho de crescer?", perguntei.
"Tão alto como o bambu", foi a resposta.
E eu deduzi:
"Tão alto quanto puder!"
Um escritor de nome Covey escreveu: "Muitas coisas na vida pessoal e profissional são iguais ao bambu chinês. Você trabalha, investe tempo, esforço, faz tudo o que pode para nutrir seu crescimento e, às vezes, não vê nada por semanas, meses ou anos. Mas se tiver paciência para continuar trabalhando, persistindo e nutrindo, o seu quinto ano chegará e, com ele, virão um crescimento e mudanças que você jamais esperava".
O bambu chinês nos ensina que não devemos facilmente desistir de nossos projetos, de nossos sonhos... Devemos sempre lembrar do bambu chinês para não desistirmos facilmente diante das dificuldades que surgirão. Procure cultivar sempre dois bons hábitos em sua vida: a persistência e a paciência, pois você merece alcançar todos os seus sonhos! É preciso muita fibra para chegar às alturas e, ao mesmo tempo, muita flexibilidade para se curvar ao chão. Nunca te arrependas de um dia de tua vida. Os bons dias te dão felicidade. Os maus te dão experiência. Ambos são essenciais para a vida. A felicidade te faz doce. Os problemas te mantêm forte. As penas te mantêm humano. As quedas te mantêm humilde. O bom êxito te mantém brilhante. Mas, só Deus te mantém caminhando...
Ana Maria Braga.

domingo, 1 de maio de 2011

Pequenos Milagres

A gente nem percebe, mas pequenos milagres acontecem a toda hora.
O estímulo de uma palavra amiga, a cumplicidade de um sorriso, a sutileza de um gesto...
Essas são pequenas coisas que podem mudar o nosso dia.
E sem sentir, a gente acaba fazendo milagres por aí também.
Sabe aquele conselho, aquele toque no amigo que precisa de ajuda?
Pois é, parece bobagem, mas a gente pode transformar o humor de alguém com um simples carinho.
E quantas vezes nós mesmos não experimentamos pequenos milagres?
O elogio inesperado de um colega no trabalho.
O telefonema do filho que está longe.
O resultado feliz de um exame de saúde.
O doce bom na sobremesa.
A folga pra ir à praia.
O caminho sem engarrafamento.
Pequenos milagres são porções de alegria que a gente vai ganhando ou doando todos os dias.
São pedacinhos de cor que enfeitam a alma.
São trechos de música que acalmam o coração.
Por menores que sejam os resultados, por mais anônimos que sejam os sucessos...
Os pequenos milagres precisam existir pra que a gente não esqueça nunca do milagre maior de estarmos vivos.



Lena Gino

Obá Mata o Cavalo de Xangô

Xangô era um conquistador de terras e de mulheres, vivia sempre de um lugar para o outro. Em Kossô fez-se rei e casou-se com Obá. Ela passava o dia cuidando da casa de Xangô, moía a pimenta, cozinhava e deixava tudo limpo.
Certa vez Xangô viu Oyá lavando roupa na beira do rio e encantou-se. Casou-se mais uma vez.
Conheceu então Oxum, que foi a terceira mulher. As três viviam às turras pelo amor do rei, para deixar Xangô feliz, Obá presenteou-lhe com um cavalo branco, Xangô gostou muito do cavalo. Tempos depois ele saiu para guerrear levando Oyá com ele, seis meses se passaram e Xangô continuava longe, Obá estava desesperada e foi consultar Oromilaia, que aconselhou-a a oferecer em sacrifício um iruquerê, feito com rabo de um cavalo e mandou pôr o iruquerê no teto da casa.
Para fazer a oferta prescrita pelo oráculo, Obá encomendou a Eleguá um rabo de cavalo, e Eleguá induzido por Oxum, mais que depressa cortou o rabo do cavalo branco de Xangô, mas não cortou somente os pêlos e sim a cauda toda e o cavalo sangrou até morrer.
Quando Xangô voltou da guerra, procurou o cavalo e não encontrou, deparou então com o iruquerê amarrado no teto da casa e reconheceu o rabo do cavalo desaparecido, soube pelas outras mulheres da oferenda feita pela primeira esposa.
Xangô ficou irado e mais uma vez repudiou Obá.

Exú: Orixá do Candomblé

Os caminhos (qualidades) de Exú aqui relacionados, dizem respeito ao Orixá Exú do Candomblé, não tendo relação com os Exús da Quimbanda.
Oba Iangui: o primeiro, foi dividido em várias partes, segundo seus mitos.
Agba: o ancestral, epíteto referente à sua antiguidade.
Alaketu: cultuado na cidade de Ketu onde foi o primeiro senhor.
Ikoto: faz referência ao elemento Ikoto que é usado nos assentos. Esse objeto lembra o movimento que Exú faz quando se move como um furacão.
Odara: fase benéfica quando ele não está transitando caoticamente.
Oduso: quando faz a função de guardião do jogo de búzios.
Igbaketa: o terceiro elemento, faz alusão aos domínios do Orixá e ao sistema divinatório.
Akesan: quando exerce domínio sobre os comércios.
Jelu: nessa fase ele regula o crescimento dos seres diferenciados. Culto em Ijelu.
Ina: quando é invocado na cerimônia do Ipade regulamentando o ritual.
Onan: referência aos bons caminhos.
Ojise: com essa invocação ele fará a sua função de mensageiro.
Eleru: transportador dos carregos rituais onde possui total domínio.
Elebo: possui as mesmas atribuições com caracterizações diferentes.
Ajonan: tinha o seu culto forte na antiga região Ijexá.
Maleke: o mesmo citado acima.
Lodo: senhor dos rios, função delicada, dado a conflitos de elementos.
Loko: como ele é assexuado nessa fase tende ao masculino simbolizando virilidade e procriação.
Oguiri Oko: ligado aos caçadores e ao culto de Orunmilá-Ifá.
Enugbarijo: nessa forma Exú passa a falar em nome de todos os orixás.
Agbo: o guardião do sistema divinatório de Orunmilá.
Eledu: estabelece o seu poder sobre as cinzas, carvão e tudo que foi petrificado.
Olobe: domina a faca e objetos de corte. É comum assenta-lo para pessoas que possuem posto de Asogun.
Woro: vem da cidade do mesmo nome.
Marabo: aspecto de Exú, no qual cumpre o papel de protetor Ma=verdadeiramente, Ra=envolver, bo=guardião. Também chamado de Barabo= Exú da proteção, não confundi-lo com seu Marabô da Quimbanda.
Soroke: apenas um apelido, pois a palavra significa em português aquele que fala mais alto, portanto qualquer orixá pode ser Soroke.

Ogum no Candomblé

Ogum Meje: É o mais velho de todos, a raiz dos outros, Ogum completo, solteirão e rabujento. É o aspecto do orixá que lembra a sua realização em conquistar a sétima aldeia que se chamava Ire (Meje Ire) deixando em seu lugar seu filho, Adahunsi.
 
Ogum Je Ajá ou Ogunjá:
Um de seus nomes em razão de sua preferência em receber cães como oferendas, um dos seus mitos liga-o a Oxanguiã e Yemanjá quanto a sua origem e como ele ajudou Oxalá em seu reino fazendo ambos um trato. É um Ogum combativo. Tem temperamento rabugento, solitário, veste-se de verde escuro e usa contas verdes. Dizem que acompanha Yemanjá Ogunté.

Ogum Ajàká: É o “verdadeiro Ogum guerreiro”, sanguinário, que em princípio se veste de vermelho. Teria sido rei de Òyó e irmão de Xangô. Ajàká é um tipo particularmente agressivo de Ogum, um militar acostumado a dar ordens e a ser obedecido, seco e voluntarioso, irascível e prepotente.

Ogum Xoroke ou Ogum Soroke: Apenas um apelido que Ogum ganhou devido à sua condição extrovertida; soro = falar, ke= mais alto. Usa contas de um azul escuro que se aproxima do roxo. Xoroke é um Ogum que algumas pessoas tendem a confundir com Exú, agitado, instável, suscetível e manhoso.
Ogum Meme: Veste-se igualmente de verde e usa contas verdes, como Ogunjá, mas de uma tonalidade diferente. 

Ogum Wori: É um Ogum perigoso, dado à feitiçaria e ligado aos antepassados. Tem temperamento difícil, suscetível, autoritário e de espírito dogmático.
Ogum Lebede (Alagbede): É o Ogum dos ferreiros, marido de Yemanjá Ogunté e pai de Ogum Akoro. Representam um tipo mais velho de Ogum, trabalhadores conscienciosos, severos, que “não brincam em serviço”, cientes de seus deveres tanto quanto de seus direitos, exigente e rabujento.
Ogum Akoró: É o irmão de Oxóssi, ligado à floresta, qualidade benéfica de Ogum invocada no pàdé. Filho de Ogunté, Akoró é um tipo de Ogum jovem e dinâmico, entusiasta, era empreendedor, cheio de iniciativa, protetor, seguro, amigo fiel e muito ligado à mãe.
Ogum Oniré: É o título de Ogum filho de Oniré, quando passou a reinar em Ire, Oni = senhor, Ire = aldeia., o dono de Iré, primeiro filho de Odúduwà. Oniré é um Ogum antigo que desapareceu debaixo da terra. Usa também contas verdes. Guerreiro impulsivo é o cortador de cabeças, ligado à morte e aos antepassados; orgulhoso, muito impaciente, arrebatado, não pensa antes de agir, mas acalma-se rapidamente.
Ogum Olode: Epíteto do Orixá destacando a sua condição de chefe dos caçadores, originário de Ketu. Não come galo por ser um animal doméstico. Amigo do mato, dos animais, conhecedor dos caminhos, e é um guia seguro. Seu temperamento solitário assemelha-se ao de Oxóssi.

Ogum Popo:
Seria o nome de Ogum quando foi à terra dos Jeje, é um tipo fanático.

Ogum Waris:
Nessa condição o Orixá apresenta-se muitas vezes com forças destrutivas e violentas. Segundo os antigos a louvação patakori não lhe cabe, ao invés de agradá-lo, ele aborrece-se. Um dos seus mitos narra que ele ficou momentaneamente cego.
Ogum Masa: Um dos nomes bastante comuns do Orixá, segundo os antigos é um aspecto benéfico quando assim se apresenta.

Há vários nomes de Ogum fazendo alusão a cidades onde houve o seu culto, como Ogum Ondo da cidade de Ondo, Ekiti onde também há seu culto etc. O Orixá possui vários nomes na África, assim como no Brasil e com isso ganha as suas particularidades e costumes.

Não Julgue Pelas Aparências

Um menino entrou numa loja de animais e perguntou o preço dos filhotes.
- Entre R$300,00 e R$500,00, respondeu o dono. 
O garoto puxou, então, uns trocados do bolso e disse: 
- Mas, eu só tenho R$10,00 ... Poderia ver os filhotes? 
O dono da loja chamou Lady, a mãe dos cachorrinhos, que veio correndo, seguida por cinco bolinhas de pêlo. Um dos cachorrinhos vinha mais atrás, com dificuldade, mancando. 
O menino apontou aquele bichinho e perguntou: 
- O que há de errado com ele? 
O proprietário do estabelecimento explicou que ele tinha um problema no quadril e andaria daquele jeito para sempre. 
A criança se animou e disse com enorme alegria no olhar: 
- Esse é o cachorrinho que eu quero comprar! 
O dono da loja estranhou... 
- Não, você não vai querer comprar esse. Mas, se quiser ficar com ele, eu lhe dou de presente. 
O menino emudeceu ...olhou para o dono da loja e falou: 
- Eu não quero que você me dê aquele cachorrinho, pois ele vale tanto quanto qualquer um dos outros. Vou pagar o preço que me for pedido. Na verdade, eu lhe dou R$10,00 agora e R$1,00 por mês, até completar o valor total. 
Surpreso, o dono da loja contestou: 
- Mas este cachorrinho nunca vai poder correr, pular e brincar com você como qualquer um dos outros... 
Sério, o menino levantou lentamente a perna esquerda da calça, deixando à mostra a prótese que usava para andar. 
- Veja. Eu também não corro muito bem e o cachorrinho vai precisar de alguém que entenda isso... 
Pense nisso!

Candomblé: Oxóssi

Filho de Yemanjá e Oxalá, é o deus da caça e vive nas florestas, onde moram os espíritos dos antepassados. Na África era a principal divindade de Ilobu, onde era conhecido pelo nome de Yrinlé ou Inlé, um valente caçador de elefantes. Conduziu seu povo de Ilobu à guerra e ensinou-os a arte de guerrear, permanecendo até hoje nesta cidade.

Oxóssi é o único Orixá que entra na mata da morte, joga sobre si uns pós-sagrados, avermelhados, chamados Arolé, que passou a ser um de seus dotes. Este pó o torna imune à morte e aos Eguns. Sendo ele um rei, carrega o Eyruquere (espanta moscas) que só era usado pelos reis africanos, pendurado no saiote.

YBUALAMO: É velho e caçador. Come nas águas mais profundas. Conta um mito que Ybualamo é o verdadeiro pai de Logun Edé. Apaixonado por Oxum e vendo-a no fundo do rio, ele atirou-se nas águas mais profundas em busca do seu amor. Sua vestimenta é azul celeste, como suas contas. Come com Omolu Azoani. Usa um capacete feito de palha da costa e um saiote de palha.

INLÉ: É o filho querido de Oxanguian e Yemanjá. Veste-se de branco em homenagem a seu pai. Usa chapéu com plumas brancas e azuis. É tão amado que Oxanguian usa em suas contas um azul claro de seu filho. Come com seu pai e sua mãe (todos os bichos) e tem fundamento com Ogunjá.

DANA DANA: Tem fundamento com Exú, Ossanha, Oxumaré e Oyá. É ele o Orixá que entra na mata da morte e sai sem temer Egun nem própria morte. Veste azul claro.

AKUERERAN: Tem fundamento com Oxumaré e Ossanha. Muitas de suas comidas são oferecidas cruas. Ele é o dono da fartura. Ele mora nas profundezas das matas. Veste-se de azul claro e tiras vermelhas. Suas contas são azul claro. Seus bichos são: pavão, papagaio e arara, tiram-se as penas e solta-se o bicho.

OTYN: Guerreiro e muito parecido com seu irmão Ogum, vive na companhia dele, caçando e lutando. É muito manhoso e não tem caráter fácil. Muito valente está sempre pronto a sacar sua arma quando provocado. Não leva desaforos e castiga seus filhos quando desobedecido. Usa azul claro e o vermelho, conta azul, leva capangas, roupas de couro de leopardo e bode. É necessário que oferende a Ogum.

MUTALAMBO: Tem fundamento com Exú.

GONGOBILA: É um Oxóssi jovem. Tem fundamento com Oxalá e Oxum.

KOIFÉ: Não se faz no Brasil e na África, pois, muitos de seus fundamentos estão extintos. Seus eleitos ficam um ano recolhidos, tomando todos os dias o banho das folhas. Veste vermelho, leva na mão uma espada e uma lança. Come com Ossanha e vive muito escondido dentro das matas, sozinho. Suas contas são azul claras, usa capangas e braceletes. Usa um capacete que lhe cobre todo o rosto. Assenta-se Koifé e faz-se Ybo, Ynlé ou Oxum Karé; trinta dias após, faz-se toda a matança.

AROLÉ: Propicia a caça abundante. É invocado no Padé. É um dos mais belos tipos de Oxóssi. Um verdadeiro rei de Ketu. Jovem e romântico, gosta de namorar, vive mirando-se nas águas, apreciando sua beleza. Come com Ogum e Oxum. Veste azul claro, aprecia a carne de veado e é ágil na arte de caçar.

KARE: É ligado às águas e à Oxum, porém os dois não se dão bem, pois exercem as mesmas forças e funções. Come com Oxum e Oxalá. Usa azul e um Banté dourado. Gosta de pentear-se, de perfume e de acarajé. Bom caçador mora sempre perto das fontes.

WAWA: Vem da origem dos Orixás caçadores. Veste-se de azul e branco, usa arco e flecha e os chifres do touro selvagem. Come com Oxalá e Xangô, dizem que ele fez sua morada debaixo da gameleira. Está extinto, assenta-se ele e faz-se Airá ou Oxum Karé.

WALÈ: É velho e usa contas azuis escuro. É considerado rei na África, pois seu culto é ligado diretamente à pantera. É muito severo, austero, solteirão e não gosta das mulheres, pois acha-as chatas, falantes demais, vaidosas e fracas. Come com Exú e Ogum.

OSEEWE ou YGBO: É o senhor da floresta, ligado às folhas e a Ossanha, com quem vive nas matas. Veste azul claro e usa capacete quase tapando o seu rosto.

OFÀ: Não é qualidade, significa, “o arco e a flecha do caçador, sendo de Oxóssi o seu principal apetrecho”.

TÁFÀ-TÁFÀ: O caçador arqueiro, aquele que exímio atirador de flechas, é predicado que se diz de Òsóòsì.

ERINLÉ: É também um outro Oxóssi, que, a exemplo de Inlè, cujo culto também caiu na obscuridade , acabou por tornar-se “qualidade de Oxóssi”.

TOKUERÁN: O caçador, é quem mata a caça.

OTOKÁN SÓSÓ: Embora muitas vezes seja citado como uma qualidade, não é qualidade, é um Oríkì que significa o caçador que só tem uma flecha . Ele não precisa de mais nenhuma flecha porque jamais erra o alvo. Título que Oxóssi recebeu ao matar o pássaro de Ìyámi Eléye. Não fazendo parte do rol dos caçadores que possuíam várias flechas, Oxóssi era aquele que só tinha uma flecha. Os demais erraram o alvo tantas vezes quantas flechas possuíam, mas, Oxóssi com apenas uma flecha foi o único que acertou o pássaro de Ìyámi, ferindo-o com um tiro certeiro no peito. Por essa razão é que ele não recebe mel, pois o mel é um dos elementos fabricado pelas abelhas, que são tidas como animais pertencentes a Oxum, mas, também às Ìyámi Eléye. Então, é èèwò (proibição) para Oxóssi. Por essa razão também, é que se dá para Oxóssi o peito inteiro das aves, como reminiscência desse ìtàn.