terça-feira, 19 de abril de 2011

Yemanjá no Candomblé

São 16 as qualidades, e por possuírem características tão próprias, há quem chegue a considerar que se trata de Orixás individuais (independentes) das outras qualidades. 
Yemanjá Asdgba ou Soba: É a mais velha, manca de uma perna devido a uma luta com Exú, rabugenta e feiticeira, fala de costas, gosta de fiar seu cristal. Comanda as caçadas mais profundas do oceano, tem afinidade com Nanã. Veste branco.
Yemanjá Akurá: Vive nas espumas do mar, aparece vestida com lodo do mar e coberta de algas marinhas. Muito rica e pouco vaidosa. Adora carneiro. Come com Nanã.
Yemanjá Ataramaba: Nessa forma ela está no colo de seu pai Olokun.
Yemanjá Ataramogba ou Iyáku: Vive na espuma da ressaca da maré.
Yemanjá Ayio: Muito velha. Veste sete anáguas para se proteger. Vive no mar e descansa nas lagoas. Come com Oxum e Nanã.
Yemanjá Iya Masemale ou Iamasse: É a mãe de Xangô e quem cuidou de Oxumarê. Esposa de Oranian e muito festejada durante as festas consagradas a seu filho Xangô. As suas contas são branco leitosas, rajadas de vermelho e azul.
Yemanjá Iyemoyo, Awoyó; Yemuo; Yá Ori ou Iemowo: É uma das mais velha, possui ligação com Oxalá, o seu fundamento está no ori, representa a vida, pode curar doenças da cabeça. Veste branco e cristal.
Yemanjá Konla: O seu mito conta que ela afoga os pescadores.
Yemanjá Maleleo ou Maiyelewo: Esta Yemanjá vive no meio do oceano no lugar onde se encontram as sete correntes oceânicas.
Yemanjá Odo: Tem aproximação com Oxum, e vive na água doce sendo muito feminina e vaidosa.
Yemanjá Ogunté: Considerada a nova guerreira, dona da espada, esposa de Ogum ferreiro (Alagbedé) e mãe de Ogum Akorô e Oxóssi. O seu nome significa aquela que contém Ogum. Vive perto das praias, no encontro das águas com as pedras. Traz na cintura um facão e todas as ferramentas de Ogum. Veste branco, azul marinho, cristal, ou verde e branco.
Yemanjá Olossá ou Bosá: Come com Oxum e Nanã. Veste verde-clara e suas contas são branco cristal. É a Yemanjá mais velha da terra de Egbado.
Yemanjá Oyo: Benéfica, muito feminina, saudada na cerimónia do Padê, veste de branco, rosa e azul claro.
Yemanjá Saba: Fiadeira de algodão, foi esposa de Orunmilá.
Yemanjá Sessu, Sesu, Yasessu ou Susure: Ligada à gestação. Voluntariosa e respeitável, mensageira de Olokun, o deus do mar. Vive nas águas sujas do mar e é muito esquecida e lenta. Come com Obaluaiyê e Ogum. Além do próprio assentamento, tem que se assentar Oxum e Obaluaiyê. Veste branco, verde água e suas contas branco cristal.
Yemanjá Yinaé ou Malelé: Aquela que os filhos sempre serão peixes. Também conhecida como Marabô, mora nas águas mais profundas. É a sereia, ligada à reprodução dos peixes; vem sempre a beira do mar apanhar as suas oferendas; está ligada a Oxalá e Exú.

Decidi Triunfar

E assim, depois de muito esperar, num dia como outro qualquer, decidi triunfar...
Decidi não esperar as oportunidades e, sim, eu mesmo buscá-las.
Decidi ver cada problema como uma oportunidade de encontrar uma solução.
Decidi ver cada dia como uma nova oportunidade de ser feliz.
Naquele dia descobri que meu único rival não era mais que minhas próprias limitações e que enfrentá-las era a única e melhor forma de superá-las.
Naquele dia, descobri que eu não era o melhor e que talvez eu nunca tenha sido.
Deixei de me importar com quem ganha ou perde. Agora, me importa simplesmente saber melhor o que fazer.
Aprendi que o difícil não é chegar lá em cima e, sim, deixar de subir.
Aprendi que o melhor triunfo que posso ter é ter o direito de chamar a alguém de "amigo".
Descobri que o amor é mais que um simples estado e enamoramento, "o amor é uma filosofia de vida".
Naquele dia, deixei de ser um reflexo dos meus escassos triunfos passados e passei a ser a minha própria tênue luz deste presente.
Aprendi que de nada serve ser luz se não vai iluminar o caminho dos demais.
Naquele dia, decidi trocar tantas coisas...
Naquele dia, aprendi que os sonhos são somente para fazer-se realidade.
E desde aquele dia já não durmo para descansar...
Agora simplesmente durmo para sonhar.
Walt Disney.

domingo, 17 de abril de 2011

O Poder do Fogo de Xangô e Iansã

Xangô havia conquistado o poder da cidade de Oyó e se tornado o seu terceiro soberano, governando com muita severidade e domínio total sobre seu povo, que não tentava irritá-lo ou ofendê-lo, pois ele era o possuidor do edún àrá, a pedra do raio.
Seu símbolo de poder é o osé, um machado de lâmina dupla como representação de que “sua força é uma arma de dois gumes”, que equivale dizer que o mais distante habitante de Oyó não estava longe da autoridade de Xangô ou imune aos seus castigos pelos delitos cometidos. 
Embora consciente de seu poder, Xangô sempre queria novos meios de se fazer respeitado e temido por todos. Enviava seus mensageiros até os locais mais longínquos em busca de poções mágicas e amuletos, com o objetivo de aumentar o seu poder. Um a um iam chegando os elementos pedidos sem que satisfizessem os desejos de Xangô. Decidiu ele, então, pedir a Exú.
Enviou um de seus homens de confiança para as terras de Ìbàrìbá, onde Exú se instalara, próximo à região dos Tápà. Lá chegando, o mensageiro declarou: “Oba Jàkúta, o grande Aláààfin de Oyó, enviou-me aqui para que lhe seja preparado um poder eficaz que cause terror no coração de seus inimigos”. Exú perguntou: “Sim, isto é possível. Mas que tipo de poder Xangô deseja?”. O mensageiro respondeu: “Oba Jàkúta disse que muitos tentaram lhe dar o poder que ainda não tem, mas eles não sabem como fazê-lo. Tais conhecimentos pertencem somente a Exú. Dê o que precisa que ele saberá o que fazer.”
Disse Exú: “Sim, do que Xangô precisa eu sei bem e eu lhe darei. Em troca quero receber uma cabra como sacrifício. O poder estará pronto em 7 dias; porém, você não deverá ser o portador. Quem deverá vir aqui buscar será a esposa dele, Oyá”.
O mensageiro retornou para Oyó e transmitiu a Xangô o recado de Exú, que concordou com o que lhe foi dito, e já no sétimo dia, Xangô instruiu Oyá para que fosse buscar a fórmula: “Cumprimente Exú por mim. Diga-lhe que o sacrifício será enviado. Receba o poder que ele preparou e traga-o para cá rapidamente”. Em seguida Oyá partiu.
Chegando às terras de Exú, Oyá cumprimentou-o: “Xangô, de Oyó, enviou-me para apanhar o que foi preparado para ele. O sacrifício que você pediu em troca já está a caminho”. Em seguida, Exú entregou a Oyá um pequeno pacote embrulhado em uma folha silvestre, ewé ogbó, e lhe disse: “Tome cuidado com isto. Diga a Xangô que beba tudo.”
Pegando o pacote, Oyá iniciou a jornada de volta. Mas a curiosidade começou a atiçá-la: “O que Exú fez para Xangô? Que espécie de poder pode estar neste pacote tão pequeno?” Ao longo do trajeto de volta, Oyá foi pensando no assunto, quando resolveu parar para descansar. Como Exú havia presumido que ela faria, Oyá desembrulhou o pacote para olhar o que havia dentro. E o que viu possuía uma coloração vermelha. Colocou um pouco da fórmula na boca para testá-la. Não era bom nem era ruim. Ficou pensativa por um instante, embrulhou o pacote e seguiu viagem.
Ao chegar a Oyó, foi direto para o palácio de Xangô. Assim que o viu entregou-lhe o pacote. Xangô perguntou: “Que instruções Exú deu a você? Como eu tenho de usar este poder?”
Oyá disse: “Ele instruiu para ingerir o poder.” Nem bem começou a falar, faíscas saíram de sua boca. Xangô entendeu que Oyá havia testado o poder que lhe havia sido destinado. Sua ira foi violenta. Levantou a mão para bater-lhe, mas ela escapou do palácio. Xangô a perseguiu, mas não a encontrou. Oyá foi para um lugar onde muitas ovelhas estavam pastando. Correu entre elas, pensando que Xangô não a encontraria. Mas a ira de Xangô era terrível. Ele lançou seu grito, estrondos em todas as direções, a ponto de atingir as ovelhas, matando-as todas. Oyá escondeu-se, então, embaixo das ovelhas mortas, conseguindo assim iludir Xangô que cansado retornou ao palácio onde uma multidão o aguardava. Todos suplicavam pela vida de Oyá. “Sua compaixão é maior do que a sua ofensa. Perdoai-a”. A ira de Xangô se atenuou. Ele enviou seus escravos para encontrar Oyá e trazê-la de volta. 
Xangô não sabia, exatamente, como Exú havia lhe destinado o poder. Assim, quando a noite chegou, Xangô pegou o pacote com o poder e foi para um lugar alto contemplar a cidade. Lá, colocou um pouco do poder sobre a língua, e, quando expirou o ar, uma enorme chama saiu de sua boca, estendendo-se por toda a cidade. Xangô passou a ter o poder sobre o fogo, que brotava de sua boca e de suas narinas, e, com isso, passou a intimidar seus adversários.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Ogum Desvenda o Segredo de Iansã

Ogum foi caçar na floresta. Ele ficou a espreita e viu um búfalo vindo em sua direção, avaliou logo a distância que os separava e preparou-se para abater o animal com sua espada, no entanto viu o búfalo parar, e repentinamente baixar a cabeça e despir-se de sua pele.
Desta pele saiu uma linda mulher. Era Iansã, vestida com elegância, coberta de belos panos, um turbante luxuoso amarrado à cabeça e ornada com colares e braceletes. Iansã enrolou sua pele e seus chifres, fez uma trouxa e escondeu num formigueiro. Partiu, em seguida, num passo leve, em direção ao mercado da cidade, sem desconfiar que estava sendo observada.
Assim que Iansã partiu, Ogum apoderou-se de sua pele de búfalo, foi para casa, guardou-a no celeiro e seguiu também para o mercado. Lá, ele encontrou a bela mulher e cortejou-a. Sua beleza era tal que se um homem a visse, logo a desejaria.
Ogum foi pediu-a em casamento. Iansã apenas sorriu e recusou sem apelo. Ogum insistiu e disse-lhe que a esperaria. Ele não duvidava de que ela aceitasse sua proposta.
Iansã voltou à floresta e não encontrou seus chifres nem sua pele. Ficou pensando sobre o que poderia ter acontecido, quem poderia ter descoberto seu segredo.
Iansã voltou ao mercado, já vazio, e viu Ogum que a esperava. Ela perguntou-lhe o que ele havia feito daquilo que ela deixara no formigueiro. Ogum fingiu inocência e declarou que nada tinha a ver, nem com o formigueiro, nem com o que estava nele. Iansã não se deixou enganar e disse-lhe:
"Eu sei que você escondeu minha pele e meus chifres. Eu sei que você se negará a me revelar onde escondeu. Casarei-me com você e viverei em sua casa. Mas existem certas regras de conduta comigo. Estas regras devem ser respeitadas também pelas pessoas da sua casa. Ninguém poderá me dizer: "Você é um animal!", ninguém poderá utlizar cascas de dendê para fazer fogo, e ninguém poderá rolar um pilão pelo chão da casa".
Ogum respondeu que havia compreendido e levou Iansã. Chegando em casa, Ogum reuniu suas outras mulheres e explicou-lhes como deveriam comportar-se. Ficara claro para todos que ninguém deveria discutir com Iansã ou insultá-la.
A vida organizou-se. Ogum saía para caçar ou cultivar o campo. Iansã, em vão, procurava sua pele e seus chifres. Ela deu à luz a nove crianças. Mas as mulheres viviam enciumadas da beleza de Iansã.
Cada vez mais enciumadas e hostis, elas decidiram desvendar o mistério da origem de Iansã.
Uma delas conseguiu embriagar Ogum com vinho de palma. Ogum não pôde mais controlar suas palavras e revelou o segredo. Contou que Iansã era, na realidade um animal; que sua pele e seus chifres estavam escondidos no celeiro. Ogum recomendou-lhes ainda:
"Sobretudo não procurem vê-los, pois isto as amedrontará. Não lhes digam jamais que é um animal!"
Depois disso, logo que Ogum saía para o campo, as mulheres insultavam Iansã:
"Você é um animal! Você é um animal!!"
Elas cantavam enquanto faziam os trabalhos da casa:
"Coma e beba, pode exibir-se, mas sua pele está no celeiro!"
Um dia, todas as mulheres saíram para o mercado. Iansã aproveitou-se e correu para o celeiro. Abriu a porta e, bem no fundo, sob grandes espigas de milho, encontrou sua pele e seus chifres. Ela os vestiu novamente e se sacudiu com energia. Cada parte do seu corpo retomou exatamente seu lugar dentro da pele. Logo que as mulheres chegaram do mercado, ela saiu bufando. Foi um tremendo massacre, pelo qual passaram todas. Com grandes chifradas Iansã rasgou-lhes a barriga, pisou sobre os corpos e rodou-os no ar. Iansã poupou seus filhos que a seguiam chorando e dizendo:
"Nossa mãe, nossa mãe! É você mesma? Nossa mãe, nossa mãe!! Que você vai fazer? Que será de nós?"
O búfalo os consolou, roçando seu corpo carinhosamente no deles, dizendo-lhes: "Eu vou voltar para a floresta; lá não é um bom lugar para vocês. Mas, vou lhes deixar uma lembrança."
Retirou seus chifres, entregou-lhes e continuou:
"Quando qualquer perigo lhes ameaçar, quando vocês precisarem dos meus conselhos, esfreguem estes chifres um no outro. Em qualquer lugar que vocês estiverem, em qualquer lugar que eu estiver, escutarei suas queixas e virei socorrê-los."

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Gregos x Africanistas = Coincidências?


Cada vez mais é notada a enorme semelhança entre as Divindades do panteão grego com os Orixás cultuados por nós africanistas.
Sócrates já tinha se tornado rijo e frio em quase toda a região inferior do ventre quando descobriu sua face, que havia velado e disse estas palavras, as derradeiras que pronunciou:
"- Críton, devemos um galo a Asclépio, não te esqueças de pagar essa dívida.”
É desta forma que Platão narra os últimos momentos de Sócrates. Preocupado em rechaçar as acusações que haviam levado Sócrates à condenação, Platão procura retratar seu mestre como um ateniense bem comportado, respeitador dos usos e costumes da época. Dentre os quais estava, sem dúvida, pagar as dívidas para com os deuses. Em outras palavras, Sócrates pede a seu amigo Críton que pague uma obrigação, como diria qualquer Babalorixá. Que os gregos faziam seus despachos, já está comprovado pela arqueologia.
Assim como os Orixás africanos, cada deus grego era agraciado com oferendas específicas. Sacrifícios a Hermes incluíam incenso, mel, bolos, porcos e especialmente carneiros. Zeus, por sua vez, preferia bodes, touros e cabras. Os exércitos espartanos sempre viajavam com uma cabra para ser sacrificada ao mais poderoso dos olimpianos antes das batalhas, na crença de que isto lhes garantiria a vitória. Outra forma de granjear a simpatia dos deuses era através das libações: derramava-se ao solo um pouco de vinho antes de bebê-lo. Parece aquilo que os brasileiros chamam de “dar um gole pro santo”. Em ambos os casos, trata-se de uma relação direta com a divindade, justificada pela crença de que as condições de uma existência feliz dependem do beneplácito dos deuses.
São muitos os pontos de contato entre a religião grega clássica e as religiões afro-brasileiras. Ambas, por exemplo, fazem uso da orientação pelas divindades, embora os métodos variem muito: enquanto no Batuque usam-se búzios, os gregos valiam-se de oráculos, usando desde favas (caso das consultas menos importantes em Delfos) até o sopro do vento nas árvores (em um oráculo de Zeus). Zeus, aliás, era simbolizado em Creta por um duplo machado muito semelhante ao que ostenta Xangô. Estas duas divindades têm muito mais em comum. Tanto Xangô quanto Zeus são apresentados como senhores da Justiça, reis poderosos, autoritários ou até violentos, além de incansáveis perseguidores de parceiras femininas (embora Zeus fosse mais eclético neste particular, ilustrando o padrão bissexual aceito pelos gregos). O raio e o trovão simbolizam a ambos.
Comparemos agora Bará e Hermes. Bará representa um canal de comunicação, o princípio da mobilidade, o caminho. Por isto, o batuque sempre é aberto com invocações a esta divindade, pra Bará tudo é feito em primeiro lugar. Hermes, com suas sandálias aladas que permitem voar, é também um mensageiro. Assim como as oferendas a Bará são depositadas nas encruzilhadas, Hermes era homenageado com hermas nas esquinas e nas portas, isto é, em locais de passagem. As hermas eram pequenos monumentos feitos de pedra consistindo de um busto do deus e de um falo semi-ereto, pois Hermes era associado à fertilidade, o mesmo que Bará, dono da masculinidade e do órgão genital masculino.
Deusa da beleza, da vaidade, do amor, Afrodite mostrava seu domínio sobre as mais diversas faces do amor e da beleza humana, amando a alegria e o glamour. As diversas festas realizadas em homenagem à essa divindade grega tinham o nome de “afrodisíacas”, eram sempre recheadas de farturas, sexualidades, paixão e amor. Podemos imediatamente associar à Oxum, que reina todos os campos da beleza e do amor.
Filho de Zeus e Hera, Ares era conhecido como o deus olímpico da guerra. Vestia sempre uma armadura e andava com seus cavalos que segundo a lenda, eram imortais e respiravam fogo. Suas armas eram o escudo, a espada e lança. Soldados gregos em vésperas de batalhas, sacrificavam cães em oferta à Ares, para que este lhe conceda bênçãos de vitórias. Na África antiga, esse culto era associado à Ogun. Orixá do panteão africano, dos mais antigos, regente das demandas, guerras, do aço.
Já ouvimos versões inúmeras sobre associações de deuses gregos com as divindades africanas, sendo que muitas dizem que um podem porvir do outro e vice-versa.
Se um é a forma evolutiva do outro jamais saberemos, mas que estão extremamente associados em sua forma de culto, habitat, ferramentas e outras coisas mais, isso é inegável.

Arquétipo dos Filhos de Oxalá


Os filhos de Oxalá são pessoas muito tranqüilas, com tendência à calma, inclusive nos momentos mais difíceis. São amáveis e prestativos, mas nunca subservientes, pois não se rebaixam a ninguém. Sabem argumentar muito bem, convencendo qualquer pessoa de suas intenções. Adoram limpeza e organização, sendo perfeccionistas em tudo que fazem, às vezes chegando ao exagero. Exigem, com veemência, a mesma postura das pessoas que o cercam. Geralmente essas pessoas aparentam mais idade do que realmente têm, devido ao seu amadurecimento precoce. Usam o raciocínio para resolver seus problemas, sendo esse o seu ponto forte, por isso, não são dados a explosões emocionais. Não gostam de mudanças, preferindo a rotina de uma vida tranquila do que uma aventura sem garantias. São lentos em suas decisões, pensando muito antes de agir. Mas quando tomam uma decisão, são persistentes e perseverantes. São muito reservados em seus sentimentos e raramente orgulhosos. Sendo geralmente comunicativos e carismáticos, atraem muitos admiradores e amigos, que se sentem protegidos ao seu lado. Gostam de canalizar tudo em volta de si, como um grande pai. Dificilmente um filho de Oxalá deixa sem auxílio uma pessoa conhecida. Nessas atitudes de solidariedade, eles assumem alguns riscos, e, não raras vezes, acabam prejudicados. Confiam demasiadamente nas pessoas, sempre vendo seu lado positivo, por isso correm um sério risco de serem enganados. Seu maior defeito é a teimosia, principalmente quando têm certeza de suas convicções. Adoram assuntos polêmicos, expondo seus pontos de vista a quem quer que seja. Um outro aspecto negativo na personalidade dessas pessoas é fugir de determinados problemas, deixando as coisas chegarem a um limite insuportável.

Arquétipo dos Filhos de Xapanã


São pessoas que ocultam sua individualidade sob uma máscara de austeridade. Têm muita dificuldade em se relacionar, pois são muito fechados e de pouca conversa. Geralmente apaixonam-se por pessoas totalmente diferentes deles mesmos, isto é, por figuras extrovertidas e sensuais. Gostam de ver o ser amado brilhar. Normalmente são irônicos, secos e diretos. Não são pessoas de levar desaforos para casa e nem de falar pelas costas. Odeiam fofocas e vulgaridades do gênero. A solidão é muito peculiar a essas pessoas, devido à sua própria personalidade. Não se sentem satisfeitos quando a vida corre normalmente, precisam mostrar seu sofrimento, exagerando, muitas vezes, nesse tipo de comportamento. São pessoas firmes e decididas, que lutam para conseguir seus objetivos. Geralmente, não sentem medo da morte, pois no fundo de seu ser, compreendem que ela é apenas uma renovação. Os filhos desse Orixá são muito independentes e têm a necessidade de crescer com suas próprias forças e recursos. Apresentam pouco brilho em seu rosto e um semblante sério, com raros momentos de descontração. Parece que eles carregam sobre os ombros todo o sofrimento do mundo. Adoram fazer caridade e aliviar o sofrimento das pessoas, embora não se abalem emocionalmente com isso. 

Arquétipo dos Filhos de Odé

O arquétipo dos filhos de Odé é o das pessoas espertas, rápidas, sempre alerta e em movimento. São pessoas cheias de iniciativa e sempre em vias de novas descobertas ou de novas atividades. Têm o senso da responsabilidade e dos cuidados com a família. São generosas, hospitaleiras e amigas da ordem, mas gostam muito de mudar de residência e achar novos meios de existência em detrimento, algumas vezes, de uma vida doméstica harmoniosa e calma.

A determinação e a paciência para aguardar o momento certo de agir, fazem parte da sua personalidade. São joviais, rápidos e espertos, sempre com um olhar atento e vivo. Possuem um corpo esguio, sendo geralmente magros e pouco musculosos. Suas mãos são delgadas e finas. Movimentam-se quase que flutuando, com muita leveza no andar. É um orixá de pessoas presas ao cotidiano e de homens comuns, que não sonham muito. Alguns filhos desse orixá possuem muita criatividade e dons artísticos.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Arquétipo dos Filhos de Ossanha

O arquétipo associado a Ossanha é o das pessoas de caráter equilibrado, capazes de controlar seus sentimentos e emoções.
Os filhos de Ossanha são aqueles que não permitem que suas simpatias e antipatias subjetivas e individuais intervenham em suas decisões ou influenciem as suas opiniões sobre pessoas e acontecimentos.
Essa capacidade de discernimento frio e racional é o responsável pela sua falta de interesse em fofocas. O tipo de Ossanha é o do mais reservado. Não é introvertido, mas não se faz notar pela atividade social.
O filho de Ossanha tem certa atração pela religiosidade e pelos aspectos ritualísticos da realidade em geral. A ordem, os costumes, as tradições e os gestos marcados e repetitivos o fascinam, não no sentido especificamente reacionário das pessoas que querem a repetição das mesmas e imutáveis relações sociais ad eternum, mas no que elas têm de místico, de teatral. É consequentemente meticuloso nunca se deixando levar pela pressa ou pela ansiedade, pois é caprichoso.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Lenda de Ossanha

Ossanha havia recebido de Olodumaré o segredo das ervas. Estas eram de sua propriedade e ele não as dava a ninguém, até o dia em que Xangô se queixou à sua esposa, Oyá, senhora dos ventos, de que somente Ossanha conhecia o segredo de cada uma dessas folhas e que os outros deuses estavam no mundo sem possuir nenhuma planta. Oyá levantou suas saias e agitou-as impetuosamente. Um vento violento começou a soprar. Ossanha guardava o segredo das ervas numa cabaça pendurada num galho de árvore. Quando viu que o vento havia soltado a cabaça e que esta tinha se quebrado ao bater no chão, ele gritou: Ewé O! Ewé O! (“Oh! As folhas! Oh! As folhas!”), mas não pôde impedir que os deuses as pegassem e as repartissem entre si.