terça-feira, 7 de junho de 2011

Faça Suas Escolhas

"Hoje levantei cedo pensando no que tenho de fazer antes que o relógio marque meia noite.
É minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje.
Posso reclamar porque está chovendo ou agradecer às águas por lavarem a poluição.
Posso ficar triste por não ter dinheiro ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças, evitando o desperdício.
Posso reclamar sobre minha saúde ou dar graças por estar vivo.
Posso me queixar dos meus pais por não terem me dado tudo o que eu queria ou posso ser grato por ter nascido.
Posso reclamar por ter de ir trabalhar ou agradecer por ter trabalho.
Posso sentir tédio com o trabalho doméstico ou agradecer a Deus.
Posso lamentar decepções com amigos ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades.
Se as coisas não saíram como planejei posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar.
O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser.
E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma.
Tudo depende de mim."

Charlie Chaplin

sábado, 4 de junho de 2011

De Vermelho e Negro...

De vermelho e negro, vestindo
À noite o mistério traz,
De colar de conchas,
Brincos dourados,
A promessa faz...
Se você quer ir,
Você pode ir,
Peça o que quiser...
Mas cuidado amigo,
Ela é bonita, ela é mulher.
E num canto da rua,
Zombando, zombando,
Zombando tá...
Ela é moça bonita,
Girando, girando, girando lá, oi...
Oi girando lá, olelê...
Oi girando lá, olalá...

Ponto de Exu Rei das 7 Encruzilhadas

Sete facas de ponta,
Em cima de uma mesa,
Sete velas acesas,
Lá na encruzilhada,
Exú é Rei,
Alupandê Exú,
Exú é Rei,
Alupandê Exú,
Exú é Rei,
Lá nas Sete Encruzilhadas.
Sete facas de ponta,
Em cima de uma mesa,
Sete velas acesas,
Lá na encruzilhada,
Exú é Rei,
Alupandê Exú,
Exú é Rei,
Alupandê Exú,
Exú é Rei,
Lá nas Sete Encruzilhadas.

Ponto de Omulu

Seu Omulú a ê,
Seu Omulú a á,
Atotô das Almas,
Seu Omulú a ê,
Bis
Oi salve, salve,
Salve a calunga,
Salve, salve,
Salve a calunga,
Bis
Eu vinha caminhando,
Eu lhe pedi benção,
Era o Velho Omulú,
Atotô Obaluaê,
Mas eu vinha caminhando,
Eu lhe pedi benção,
Era o Velho Omulú,
Atotô Obaluaê.
Atotô Obaluaê, Atotô Babá...
Atotô Obaluaê, Atotô Babá.

Obaluaiyê Conquista Daomé

Um dia Obaluaiyê saiu com seus guerreiros, ia em direcção à terra dos mahis, no Daomé. Obaluaiyê era conhecido como um guerreiro sanguinário, atingindo a todos com as pestes, quando estes se opunham a seus desejos.
Os habitantes do lugar, quando souberam de sua chegada, foram em busca de ajuda de um adivinho, ele recomendou que fizessem oferendas, com muita pipoca, inhame pilado, dendê e todas as comidas de que o guerreiro gostasse, pipocas acalmam Obaluaiyê, disse que seria aconselhável que todos se prostrassem diante dele, assim o fizeram.
“Totô hum! Totô hum! Atotô! Atotô!”
“Respeito! Silêncio!”
Obaluaiyê, satisfeito com a sujeição daquele povo, os poupou declarou que a partir daquele dia viveria naquele reino, assim o fez e em pouco tempo o país tornou-se próspero e rico.
Obaluaiyê recebeu nas terras mahis o nome de Sapatá, mesmo assim era preferível chamá-lo de Ainon, Senhor das Terras, ou Jeholu, Senhor das pérolas.
Esses diferentes nomes foram adotados por famílias importantes, mas infelizmente provocaram desentendimentos entre elas e os reis do Daomé. Muitas vezes as famílias de Sapatá foram expulsas do reino e, em represália, muitos reis daomeanos morreram de varíola.
Tanta discórdia provocou seu nome, que hoje ninguém sabe mais qual o melhor nome para se chamar Obaluaiyê.

Oxum Recebe uma Princesa em Suas Águas

Certa vez, o rei de Oloú, precisava atravessar o rio onde vivia Oxum, o rio naquele dia se encontrava enfurecido e os exércitos não podiam passar pelas traiçoeiras correntezas.
Oloú fez um pacto com Oxum para que baixasse o nível das águas, em troca lhe oferecia um bela prenda, Oxum entendeu que Oloú estava prometendo Prenda Bela.
Prenda Bela era o nome da mulher de Oloú, filha do rei de Ibadã. Oxum baixou o nível das águas e Oloú passou com seu exército. Oloú jogou no rio a bela prenda: uma grande oferenda com as melhores comidas e bebidas, os mais finos tecidos, jóias luxuosas e raros perfumes, correntes de ouro puro e banhos preciosos.
Tudo foi devolvido para as areias das margens do rio, Oxum só aceitaria Prenda Bela, a princesa. Tempos depois, Oloú retornou vitorioso de sua expedição e, ao chegar ao rio, percebeu que as águas novamente estavam turbulentas, ele ofereceu novamente o mesmo que ofertara antes: uma bela prenda com as melhores comidas e bebidas, os mais finos tecidos, jóias luxuosas, raros perfumes, correntes de ouro puro e banhos preciosos.
Oxum recusou a oferta, tudo foi devolvido à praia, intocado, ela queria Prenda Bela, a esposa de Oloú, que estava grávida, contrariado mas sem ter outra saída, ele lançou ao rio sua indefesa e grávida consorte. Ao ser lançada às águas revoltas, Prenda Bela deu a luz, Oxum devolveu a criança, era somente Prenda Bela quem ela queria.
Oloú seguiu seu caminho, retornando muito triste a seu reino, o rei Ibadã logo foi informado do fim trágico da filha, declarou guerra a Oloú, venceu-o e o expulsou para sempre do país.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Iansã Quebra a Cabaça dos Ventos e dos Eguns

Conta umas das lendas de Iansã, a primeira esposa de Xangô, que ela teria ido, a pedido de seu marido, a um reino vizinho buscar três cabaças que estava com Xapanã. Ela foi alertada de que não deveria abrir estas cabaças, e de que precisava devolvê-las a Xangô. Iansã foi e lá Xapanã recomendou mais uma vez que não deixasse as cabaças caírem e quebrarem e, se isto acontecesse, que ela não olhasse e fosse embora. Iansã ia muito apressada e não aguentava mais segurar a curiosidade. Um pouco mais à frente quebrou a primeira cabaça, desrespeitando a vontade de Xapanã. Saíram de dentro da cabaça os ventos que a levou aos céus. Quando terminaram os ventos, Iansã voltou e quebrou a segunda cabaça. Da segunda cabaça saíram os Eguns. Ela se assustou e gritou: Reiiii! Na vez da terceira cabaça Xangô chegou e pegou para si, que era a cabaça do fogo e dos raios.
Ela tinha um temperamento ardente e impetuoso. Foi a única entre as mulheres de Xangô que, no fim de seu reinado, o seguiu em sua fuga para Tapá. Quando ele recolheu-se para baixo da terra em Kossô, ela fez o mesmo em Yiá.

Yemanjá Apaixona-se


Oromilaia tinha os segredos da noite e precisava ser detido devido a seus feitiços desenfreados. Era um dos homens mais bonitos e encantadores, tinha todas as mulheres que quisesse, mas não amava nenhuma. Oxalá queria tirar a maldade e os segredos de Oromilaia, mas só havia um jeito de conseguir tal feito. Pedindo à mulher mais bonita do povoado que o encantasse e tirasse dele todos os segredos. 
Os Orixás duvidaram e mesmo assim Oxalá chamou Yemanjá, que não tinha filhos nem família para seduzí-lo e conhecer os seus segredos. Oxalá fez com ela um trato, segundo o qual ela só teria essas intenções para ludibriar Oromilaia e depois voltaria para reinar ao lado dele novamente. Yemanjá foi, porém com o tempo, ela e Oromilaia apaixonaram-se verdadeiramente.
Yemanjá e Oromilaia já não conseguiam viver longe um do outro, ela conseguiu descobrir todos os segredos e feitiços dele, porém afastar-se jamais, eles tiveram muitos filhos, que também tornaram-se Orixás.

Ilustração: Cláudia Krindges

quarta-feira, 1 de junho de 2011

O Que Dói Mais

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas. 
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.
Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.

Martha Medeiros

Exu Ajuda a Socorrer Oxum

Orixá do amor, da prosperidade e da beleza, Oxum era filha de Orunmilá. Um dia casou-se com Xangô, e foi viver com ele em seu palácio. Logo Xangô percebeu o desinteresse dela pelos afazeres domésticos, pois a rainha vivia preocupada com suas jóias e caprichos.
Aborrecido, Xangô mandou prendê-la numa torre, sentindo-se livre novamente. Exú, vendo a situação de Oxum correu e contou a seu pai Orunmilá que, fazendo deste seu mensageiro, entregou-lhe um pó mágico que deveria ser soprado sobre ela.
Exú, que se transforma no que quer, chegou ao alto da torre e soprou o pó sobre Oxun que, no mesmo instante, transformou-se num lindo pombo chamado Adabá, ganhando a liberdade e voltando à casa paterna.